domingo, 17 de outubro de 2010

Magnitude do tempo geológico

A magnitude da escala do tempo geológico é uma das maiores dificuldades que os estudos geológicos encontram.

De acordo com a escala espacial os fenómenos geológicos podem-se dividir em: locais, regionais e globais. Os fenómenos locais são aqueles que afectam uma região muito limitada como por exemplo, um deslizamento de terra. Os fenómenos regionais são aqueles que afectam um sector mais amplo como pode ser o caso de uma interrupção na sedimentação. Os fenómenos globais são aqueles que afectam todo no nosso Planeta e temos como exemplo a mudança do campo magnético.

A unidade básica da mediada do tempo geológico é o milhão de anos (Ma), podendo também ser aceite medidas inferiores como as centenas de milhões de anos para um melhor entendimento de alguns acontecimentos mais recentes.

Os registos estratigráficos, que tratam os reflexos da sedimentação ao longo do tempo, são registos que representam intervalos na ordem dos vários milhões de anos.
Com o fim de compreender melhor a magnitude do tempo geológico, vamos compara-la com um intervalo de tempo mais pequeno, 1 ano, ou seja, vamos colocar a idade da terra (45000 Ma) “dentro” de 1 só ano:

- Meados de Março: As rochas mais antigas são conhecidas.
- Maio: Indícios de vida nos mares
- Meados de Novembro: Inicio do Câmbrico
- 15 a 26 Dezembro: Idade dos dinossauros
- Tarde de 31 de Dezembro: Aparecimentos dos Hominídeos
- 31 de Dezembro, 23h 59min 45s: Retirada dos glaciares da Europa
- 31 De Dezembro23h 59min 50/55s: Auge do Império Romano
- 31 Dezembro, 23h 59min 57s: Descoberta da América do Norte


Em seguida fica uma imagem da tabela cronostratigrafica, retirada do livro de Geologia do 12º ano, com dimensões de tempo em Ma.



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Bibliografia:
Juan A. Vera Torres (1994) - Estratigrafia. Principios y Métodos. Ed. Rueda, Madrid

sábado, 2 de outubro de 2010

Estratigrafia: Princípios Utilizados

Tal como dito anteriormente a Estratigrafia estuda as relações originais existentes entre as diferentes camadas estratificadas. Para nos auxiliarmos nesse estudo existe uma serie de princípios estratigraficos que é necessario conhecer, entre eles:

1) Uniformitarismo (actualismo)
2) Sobreposição
3) Continuidade Lateral
4) Identidade Paleontologica
5) Inclusão
6) Intersecçao


1) Princípio do Uniformitarismo (actualismo):
Explicado por James Hutton e mais tarde aprofundado por Lyell diz-nos que os processos que tiveram lugar ao longo da história da Terra têm sido uniformes e semelhantes aos da actualidade (actualismo).


“O presente é a chave do passado.”
James Hutton (1726-1797)

Exemplo de "ripples marks" em sedimentos actuais (A) e num arenito (B)

2) Princípio da Sobreposição

Planeado numa primeira instancia por Steno e desenvolvido por Lehmann, diz-nos que as camadas depositam-se na horizontal umas por cima das outras, assim qualquer camada sobreposta a outra é mais recente do que esta.


Este princípio tem algumas excepçoes tais como: Camadas invertidas, falhas inversas, terraços fluviais, soleiras etc.


3) Princípio da Continuidade Lateral
De Steno, diz-nos que uma mesma camada tem a mesma idade em todos os pontos.



4) Princípio da Identidade Paleontologica
Principio planeado por Smith e desenvolvido por Cuvier, consiste em admitir o sincronismo de conjuntos de estratos com o mesmo conteúdo paleontológico.



Quanto ao seu conteúdo, temos que "bons fósseis" estratigraficos são aqueles que tiveram uma vasta distribuiçao geografica ou paleogeografica e viveram num curto periodo de tempo geologico.


5) Princípio da Inclusão
Principio no qual uma porção de uma rocha incorporada noutra é mais antiga do que a que a contem
Ex: O fragmento de granito (mais claro) incluido na rocha basaltica (mais escura) indica a sua idade mais antiga.



6) Princípio da Intersecçao
Princípio que nos diz que uma estrutura geológica (falha, intrusão) que corta outra é mais recente do que esta.Ex: Série metamórfica cortada por filões

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Bibliografia:
Juan A. Vera Torres (1994) - Estratigrafia. Principios y Métodos. Ed. Rueda, Madrid

http://oldearth.wordpress.com/evolucion-en-accion/los-estratos-registro-del-pasado/

http://blogs.myspace.com/index.cfm?fuseaction=blog.view&friendId=111600425&blogId=439118537

Estratigrafia e Paleontologia 2010/2011

Olá a todos.
Este é um blogue, inserido num modo de avaliação contínua proposto pelo docente da cadeira de Estratigrafia e Paleontologia do curso de Engenharia Geológica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

O que é a Estratigrafia?
O termo Estratigrafia, vem do latim stratum (= camada ) e do grego graphia, e é a ciência que trata da descrição de rochas estratificadas, bem como as relações originais existentes entre as diferentes camadas de rochas sedimentares como consequência da sedimentação.

Qual o objectivo desta cadeira?
Esta cadeira tem como objectivo dar a conhecer e a compreender os principios e os conceitos fundamentais da estratigrafia e da paleontologia, bem como o desenvolvimento de competências no domínio da análise de registos estratigrágicos e na identificação de fosseis, entre outros...


Bibliografia:
Juan A. Vera Torres (1994) - Estratigrafia. Principios y Métodos. Ed. Rueda, Madrid